A instalação de carregadores para veículos elétricos no Brasil deixou de ser tendência e se tornou uma realidade concreta. Com o crescimento acelerado da mobilidade elétrica, aumenta também a responsabilidade técnica do eletricista e do instalador profissional. Instalar um carregador do tipo Wallbox não é comparável à ligação de um eletrodoméstico comum: trata-se de um sistema de uso contínuo, alta potência e exigências normativas específicas.
Neste guia completo, você vai entender como realizar a instalação de carregadores de veículos elétricos conforme a ABNT NBR 17019, quais são as proteções obrigatórias, os cuidados com dimensionamento, aterramento e boas práticas que transformam o seu serviço em referência técnica e profissional.
1. Embasamento Normativo: Por Onde Começar a Instalação de Carregadores para VE
Toda instalação de carregador para veículo elétrico no Brasil deve, obrigatoriamente, atender à ABNT NBR 17019, norma específica que complementa a NBR 5410 (Instalações Elétricas de Baixa Tensão) para sistemas de recarga de veículos elétricos.
A NBR 17019 define critérios de segurança, desempenho e proteção, garantindo que a infraestrutura elétrica suporte a carga de forma contínua e segura.
Principais exigências da NBR 17019
Circuito Exclusivo
Cada ponto de recarga deve possuir circuito dedicado, desde o quadro de distribuição até o carregador. É proibido compartilhar a alimentação do Wallbox com tomadas de uso geral, iluminação ou outros equipamentos.
Modo de Carregamento
A norma classifica os modos de carga, sendo o Modo 3 (carregador em corrente alternada com comunicação e proteções dedicadas) o mais utilizado em residências, condomínios e comércios.
2. Proteções Obrigatórias na Instalação de Wallbox

Um dos erros mais comuns na instalação de carregadores para veículos elétricos está na escolha incorreta dos dispositivos de proteção. Como se trata de equipamentos eletrônicos sensíveis e de uso prolongado, a proteção deve ser criteriosa.
DR: Tipo A ou Tipo B?
Durante o carregamento, veículos elétricos podem gerar correntes de fuga em corrente contínua (DC). Um DR comum do tipo AC pode não detectar esse tipo de falha, tornando-se ineficaz — fenômeno conhecido como cegueira magnética.
- DR Tipo B: é a solução mais completa. Detecta correntes de fuga AC, DC pulsante e DC pura. É obrigatório quando o carregador não possui detecção interna de corrente DC.
- DR Tipo A: pode ser utilizado somente quando o fabricante do carregador garante, em manual, a presença de um dispositivo interno de detecção de fuga DC de 6 mA (RCM).
Atenção: utilizar DR inadequado compromete a segurança do usuário e pode causar falhas graves na proteção.
DPS – Dispositivo de Proteção contra Surtos
Carregadores de veículos elétricos possuem placas eletrônicas sensíveis. A instalação de DPS Classe II no quadro dedicado do carregador é fundamental para protegê-lo contra surtos provenientes da rede elétrica ou descargas atmosféricas indiretas.
3. Dimensionamento de Cabos e Gestão Térmica
Diferentemente de equipamentos como chuveiros ou fornos elétricos, o carregador de veículo elétrico opera por longos períodos em carga máxima, muitas vezes por 6 a 10 horas consecutivas. Isso impõe um estresse térmico contínuo à instalação.
Pontos críticos no dimensionamento
Fator de Agrupamento
Quando os condutores compartilham eletrodutos ou bandejas com outros circuitos, a capacidade de condução de corrente é reduzida. Esse fator deve ser considerado no cálculo da bitola.
Queda de Tensão
A recomendação prática é limitar a queda de tensão a no máximo 3%. Em instalações com distâncias maiores entre o quadro e o carregador, pode ser necessário aumentar a bitola do cabo, por exemplo, de 6 mm² para 10 mm², garantindo eficiência e menor aquecimento.
Exemplo prático
- Carregador de 7 kW (32 A):
- Distâncias curtas: normalmente 6 mm²
- Distâncias longas ou com agrupamento: considerar 10 mm²
4. Sistema de Aterramento para Carregadores Conforme a NBR 5410
O aterramento é um dos pontos mais críticos na instalação de carregadores para veículos elétricos. A maioria dos Wallbox realiza um autoteste de continuidade do condutor de proteção antes de iniciar a carga.
Se forem detectados:
- Alta impedância no aterramento
- Tensão entre neutro e terra
O carregador entra em modo de falha e impede o carregamento.
Boas práticas de aterramento
- Garantir a equipotencialização das massas conforme a NBR 5410
- Verificar a continuidade elétrica do condutor de proteção
- Avaliar a qualidade do sistema de aterramento existente antes da instalação
Um aterramento inadequado pode gerar riscos ao usuário, danos ao veículo e falhas recorrentes no carregador.
5. Perguntas Frequentes sobre Instalação de Carregadores de Veículos Elétricos
Posso usar disjuntor comum de 32A na instalação de carregador para veículo elétrico?
Sim, desde que o disjuntor seja corretamente dimensionado, geralmente com curva C, e instalado em circuito exclusivo. Também é essencial considerar o aquecimento devido ao uso contínuo.
Qual a bitola mínima de cabo para carregador de carro elétrico?
Para carregadores de 7 kW (32 A), a bitola mínima costuma ser 6 mm², porém a distância, a forma de instalação e o fator de agrupamento podem exigir 10 mm².
O carregador de veículo elétrico pode ficar instalado em área externa?
Sim, desde que o equipamento possua grau de proteção IP54 ou superior. Além disso, caixas de passagem e eletrodutos devem ser corretamente vedados contra umidade.
Conclusão
A instalação de carregadores para veículos elétricos conforme a NBR 17019 representa uma excelente oportunidade profissional, mas não permite improviso ou amadorismo. O cumprimento rigoroso das normas garante segurança, confiabilidade e proteção ao patrimônio e à vida do usuário.
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Nota de Responsabilidade: Este conteúdo possui caráter educativo, baseado nas normas ABNT NBR 17019 e NBR 5410. Intervenções elétricas envolvem riscos de morte, incêndio e danos materiais. Toda instalação deve ser executada por profissional legalmente habilitado e acompanhada de ART ou TRT. A Eletro MP não se responsabiliza por danos causados por instalações realizadas por pessoas não qualificadas.
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